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Estudante negro que tirou nota mil na redação do Enem quer inspirar outros jovens

O caso do estudante pernambucano é uma exceção em meio às desigualdades que atravessam a educação no Brasil.

28/04/2022 07h39 Atualizada há 1 mês
Por: Da Redação Fonte: Alma Preta
Estudante negro que tirou nota mil na redação do Enem quer inspirar outros jovens

 

O estudante Savicevic Ortega, de 20 anos, atingiu a nota máxima de mil pontos na redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o que somado às outras disciplinas resultou em 740 pontos de média. Com essa nota, o pernambucano, que já estuda Direito, se inscreveu para o curso de Medicina.

Para ele, o resultado deve servir de inspiração para outros candidatos negros, principalmente pela questão da representatividade racial no ambiente universitário.

“Um jovem negro de uma comunidade periférica também pode conseguir esse resultado e ocupar esses espaços, pois as dificuldades encontradas por esses jovens normalmente estão atreladas ao poderio econômico, não à inteligência ou esforço. É importante quebrar o preconceito de que todo preto pobre é bandido ou está envolvido com drogas”, afirma.

Savicevic é um dos 28 participantes de 2020 que tiraram nota máxima na redação. Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o número é menor em relação a 2019, quando 53 estudantes alcançaram o maior resultado; e em comparação a 2018, que teve 55 com esta pontuação.

Segundo nota do instituto, uma das hipóteses para a diminuição de alunos com alto desempenho é que a edição do ano passado registrou a maior abstenção desde 2009: 70% na modalidade digital e 50% na impressa, por causa da pandemia.

Desigualdade racial na educação

O Enem 2020 foi marcado pelo aumento da participação de candidatos negros. Dados do Ministério da Educação (MEC) mostram que 3.44 milhões dos estudantes que prestaram o exame são negros, 56 mil a mais do que em 2019, e 3.41 milhões das candidatas são mulheres, 56 mil a mais do que na edição anterior. Ao todo, 5.69 milhões de alunos fizeram o Enem impresso, enquanto 96 mil optaram pela versão digital do exame.

Os números expressivos, no entanto, não expressam a realidade dos negros brasileiros, que ainda enfrentam barreiras para acessar o ensino superior. O professor e educador popular da UneAfro Brasil, Adriano Sousa, explica que existem diversos entraves para o estudante negro e periférico entrar e se manter nos espaços acadêmicos.

“Ter que adentrar precocemente no mercado de trabalho e não conseguir conciliar trabalho com estudo acaba ocasionando a desistência de muitos alunos, que encontram outras alternativas de vida para a sobrevivência”, afirma Adriano, que também é mestrando em História Social pela Universidade São Paulo (USP).

 

 

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