Mural 13 anos
Crônica

Paulinho do Oiteiro

Crônica de Júnior Vianna

22/10/2021 15h29Atualizado há 1 mês
Por: Da Redação

Por Júnior Vianna

 

Nas cercanias da cidade de Oeiras, num lugar por nome de Oiteiro, toponímia condizendo com sua geografia, há muitos anos é tradição dos que ali vivem ter uma íntima relação com produção artística proveniente do barro. Se a princípio a lida era na produção de adobe e alvenaria, com o tempo a sensibilidade foi aflorada para o feitio de artesanatos utilizando a mesma matéria-prima.

O processo fabril rudimentar é o mesmo dos seus antepassados, o velho forno de barro movido à lenha. A argila utilizada para dar forma a diversos utensílios na sua maior parte de uso doméstico é retirada em abundância de uma área que margeia o Riacho dos Negros, solo fértil também para a produção agrícola familiar.  

A origem dessa produção artesanal nessa região se perdeu com o tempo, todavia, o que fortalece a mesma é que a tradição vem sendo passada de geração a geração e tendo a mesma aceitação no mercado consumidor. Ali entre jarros, filtros e potes se destaca Seu Paulo Afonso de Sousa, o conhecido Paulinho do Oiteiro, homem humilde e de uma habilidade incomensurável com o barro, orgulha-se do seu oficio, outrora ensinado pelo avô Venâncio Pereira de Sousa.

Enquanto o mundo vive em dias de produção em série e de grande escala, utilizando maquinários cada vez mais modernos, o espaço produtivo comandado por Paulinho do Oiteiro parece desafiar o tempo e as novas tecnologias, pois é no processo manufatureiro que ainda são produzidos as peças, que bem feitas, são comercializadas para além dos limites geográficos da cidade de Oeiras.

Paulinho do Oiteiro é símbolo de resistência no tocante à produção artesanal que ainda utiliza a argila como matéria-prima na cidade de Oeiras. É resistência também no que diz respeito a sua origem afrodescendente, quando o mesmo mantém viva a tradição que foi iniciada por seus antepassados, algo que transcende o ofício e se torna um elemento identitário.  

Em tempos que o novo e as tecnologias são tão atraentes e hipnotizantes, a ocupação de Paulinho do Oiteiro como todas as suas limitações e carecendo de muita habilidade, o torna um patrimônio vivo, que para a devida propagação é preciso que novos artistas surjam para dar continuidade a sua arte.

 

Junior Vianna é historiador.

Nenhumcomentário
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários
Ele1 - Criar site de notícias